Jenna Coleman fala sobre o processo criativo do estilo de sua personagem em The Serpent
15.01.2021
postado por JCBR
A Vogue britânica divulgou uma recente entrevista com Jenna Coleman realizada pela Radhika Seth. Na conversa, a atriz falou sobre The Serpent e sua personagem na minissérie, revelou que ainda não há nenhuma novidade sobre a quarta temporada de Victoria e contou o que aprendeu em 2020 que trouxe para esse novo ano. Confira a tradução abaixo:

Jenna Coleman no auge da moda dos anos 70 e entrando na mente de um serial killer em The Serpent
A estrela britânica descreve o papel da glamorosa Marie-Andrée Leclerc, parceira do gênio do crime Charles Sobhraj, na aterrorizante série de oito episódios.

Jenna Coleman sempre resistiu em atuar em um papel só. Aos 19, a atriz nascida em Blackpool, agora com 34 anos, fez sua estreia nas telas como uma jovem problemática em Emmerdalde da ITV. Seguiu-se uma enxurrada de papéis de alto perfil: como uma estudante rebelde em Waterloo Road, uma aventureira que viaja no tempo em Doctor Who, a jovem rainha Victoria em três temporadas de Victoria, e uma mãe a procura de seu bebê desaparecido na série The Cry, ambientada na Austrália. Agora, seu último projeto a levou para outra época e lugar — Bangkok dos anos 70, onde o assassino em série francês Charles Sobhraj tinha como alvo turistas da trilha hippie asiática.

Em The Serpent, uma série de oito partes baseada nos crimes da vida real de Sobhraj, Coleman estrela como sua parceira franco-canadense, Marie-Andrée Leclerc. Adotando o pseudônimos Alain e Monique, os dois fazem amizade com turistas ocidentais, deixando-os drogados e roubando seus passaportes e dinheiro. Aqueles que contra-atacam são eliminados silenciosamente por Sobhraj (interpretado com convicção gelada por Tahar Rahim) e seu associado Ajay Chowdhury (Amesh Edireweera). Em seus calcanhares, no entanto, estão Herman e Angela Knippenberg (Billy Howle e Ellie Bamber), um diplomata holandês e sua esposa que estão investigando uma série de assassinatos não resolvidos, bem como Sobhraj e Leclerc suspeitam, a vizinha Nadine Gires (Mathilde Warnier). O resultado é uma tensão por todo o mundo com a moda espetacular dos anos 70, para começar.

Enquanto o show continua na BBC One, Coleman nos conta sobre como conheceu os verdadeiros Knippenberg e Gires, lendo os diários de Leclerc e a lista de reprodução brega que a ajudou a entrar no personagem.

The Serpent é baseada em uma história real inacreditável. Quando o projeto chegou até você?
Eu recebi o roteiro quando fazia All My Sons no The Old Vic [em 2019]. Era uma história que eu nunca tinha ouvido falar. Eles também me enviaram várias fotos, depoimentos da vida real de Marie-Andrée e gravações de sua voz. Eu estava fisgada. Ela era misteriosa e complicada, e quanto mais eu lia sobre ela, mais viciada eu ficava. É uma história sedutora e inebriante, mas também sombria.

O quanto a história real de seus crimes difere do que vemos na tela?
Muito disso é obviamente a nossa interpretação [dos eventos]. Por exemplo, não sabemos e talvez nunca saibamos até que ponto Marie-Andrée foi cúmplice ou vítima. Mas muito disso é baseado em fatos. Um amigo me enviou uma mensagem outro dia dizendo: ‘O macaco realmente foi envenenado?’ Então, eu mandei uma mensagem de texto para [um dos escritores da série] Richard [Warlow] e para [o diretor] Tom [Shankland]. Eles responderam: ‘Fato!’ Há tanto na série que você não acreditaria, mas isso realmente aconteceu.

Como você queria equilibrar esses dois lados de Marie-Andrée — a vítima e a cúmplice?
É algo que eu tive que lutar. Eu nunca tinha encontrado ninguém como ela antes em termos psicológicos, e seu histórico era muito interessante. Ela era de uma família religiosa e quando escreve sobre sua vida [em seus diários], há algo cinzento e banal nisso. Ela era romântica e tinha autoestima baixa. Ela conhece Charles Sobhraj e dentro de três semanas ela estava drogando pessoas. Não sabemos o quanto ela realmente sabia sobre o que mais Charles estava fazendo, mas ele quase se tornou como sua religião. Ela permitiu que sua bússola moral fosse totalmente enterrada.

É verdade que você conheceu Herman Knippenberg e Nadine Gires da vida real durante as filmagens?
Eles vieram para o set e eu achei estranho por eles. Perguntei a Nadine se Marie-Andrée e Charles estavam realmente apaixonados. Ela disse: ‘De início, sim, e Marie-Andrée sempre.’ Mas, ela também disse que perguntou a Marie-Andrée se eles iam ter filhos e, aparentemente, ela respondeu: ‘Não posso. Ele seria um monstro.’ Então, ela estava ciente disso e ainda assim ela não o deixaria.

Marie-Andrée é, obviamente, franco-canadense. Você aprendeu francês do zero para a série?
Sim! Foi uma loucura porque eu estava fazendo a peça e tínhamos apenas algumas semanas antes de começarmos a filmar, então muito disso girou em torno da musculatura da boca e dos sons. Era um idioma que eu nunca tinha aprendido, mas de forma alguma eu deixaria de fazer a série. Também sou fã do [ator franco-argelino] Tahar Rahim [que interpreta Sobhraj] há muito tempo. Eu o vi em O Profeta [2009] com meus vinte e poucos anos. E então, em poucas semana, eu estava no set com o Tahar falando francês.

A moda dos anos 70 na série é tão glamorosa. Como o estilo de Marie-Andrée surgiu?
Tínhamos muitas imagens de referência e falamos sobre querer uma vibe dark de [Brigitte] Bardot. Na minha mente, Marie-Andrée era obcecada por revistas, principalmente pela Vogue Paris. A ideia era que ela queria mudar sua identidade franco-canadense e se transformar em outra pessoa. Há uma flutuação em seu look e eu trouxe a ideia de ela usar quimonos pela casa. Os óculos de sol também são incríveis, e há o que ela usa em Paris. Vimos as imagens de Mick e Bianca Jagger e foi daí que tivemos a ideia dos ternos [de Sobhraj e Leclerc]. Eu também estava usando parte de uma peruca porque, quando conhecemos Marie-Andrée, ela tinha cabelo encaracolado bem grande.

Que outros recursos ajudaram você a entrar no personagem?
Tom Shankland, o diretor, me enviou uma playlist da Marie-Andrée. Brincamos com a ideia de que ela tem mau gosto para música e gosta de canções românticas cafonas. A lista de reprodução tinha “Leaving on a Jet Plane” de John Dencer, “Mamma Mia” do ABBA, “Tiny Dancer” de Elton John e “Bridge Over Troubled Water” de Simon & Garfunkel. Há também uma cena em que algo horrível está acontecendo, mas Marie-Andrée está no cômodo ao lado ouvindo “She” (Tous led visages de l’amour) de Charles Aznavour para bloquear o que acontecia. Vemos que ela quer continuar interpretando essa heroína romântica que tem na sua cabeça.

A série vai de Bangkok a Katmandu e Paris, mas foi filmada principalmente na Tailândia?
Foi principalmente na Tailândia, mas viajamos muito. A cena do Lago Dal, por exemplo, foi filmada perto de Mianmar. Deveríamos ter voado para Budapeste para filmar as cenas de Paris, mas foi quando a Covid apareceu. Fomos de avião para casa e houve uma pausa de seis meses. Não podíamos realmente viajar depois disso, então filmamos o resto da série em Tring em Hertfordshire, que atua como parte de Mumbai, Karachi e Paris. Tem sido uma aventura, especialmente em Bangkok com os mercados, o trânsito e o calor. Nossa equipe tailandesa foi incrível, e o set foi um caldeirão de línguas e culturas. Realmente capturou o hedonismo dos anos 70. Agora, ter a série lançada depois de tudo isso, é emocionante.

Em relação ao que vem a seguir, há notícias sobre a quarta temporada de Victoria?
Não no momento. Tenho algo mais chegando, e assinei um NDA (acordo de confidencialidade), então não posso dizer mais nada, e espero que alguns filmes independentes também, quando tudo começar a voltar ao normal.

Como você passou o tempo em confinamento quando não estava filmando?
Parece que muito tempo se passou. Outro dia, vi alguém postar no Instagram sobre pão de banana e pensei: ‘Nossa, estamos de volta ao pão de banana!’ Ainda estou aprendendo francês, cozinhar, jardinagem e comecei a fazer um curso de fotografia com a Leica. O ponto alto da minha vida social tem sido encontrar amigos para passear. Os quizzes do Zoom se tornaram chatos muito rapidamente.

O que você aprendeu com 2020 que levou com você para 2021?
Que precisamos diminuir o ritmo. Há uma sensação de que você sempre precisa alcançar algo ou seguir em frente, os planejamentos de todos são cheios e tentamos várias tarefas em um nível que esquecemos a beleza de apenas nos render. Apreciei a quietude e também a gentileza. Eu sinto que havia muito disso no início do confinamento. Espero que continue.