Jenna Coleman estampa a capa da edição primavera da Glass Magazine e concede entrevista
31.03.2021
postado por Thaíne
Além de ser fotografada para a edição primavera da revista Glass Magazine pelas lentes do fotógrafo Nick Thompson, Jenna Coleman foi entrevistada pela Imogen Clark. No bate-papo, a atriz relembrou o início de sua carreira e falou sobre os obstáculos que a produção de O Paraíso e a Serpente enfrentaram durante as filmagens. Confira as scans clicando nas miniaturas e a entrevista completa traduzida abaixo:

Pode vir

Jenna Coleman ama um desafio. Abençoada com um cabelo castanho grosso, olhos escuros penetrantes e uma atitude destemida, a atriz britânica de 34 anos esteve em alguns dos maiores papéis na televisão. Sem medo do peso que alguns de seus personagens carregam, Coleman tem se transformado continuamente, gradualmente consolidando seu lugar como um dos maiores talentos do país. Sua última aventura a transportou para o outro lado do mundo, para a nova série dramática de sucesso da BBC/Netflix, O Paraíso e a Serpente. Retratando a história real do serial killer Charles Sobhraj (interpretado por Tahar Rahim), Coleman assumiu o papel de sua amante apaixonada, Marie-Andrée Leclerc. Sua perfomance assombrosa foi ainda mais chocante para mim quando ela atendeu minha ligação no Zoom e me deparei com uma sorridente nortista.

Nascida em Blackpool no noroeste da Inglaterra, Coleman sabia desde os 10 anos que atuar era tudo o que ela queria fazer. “Eu sou uma daquelas pessoas irritantes que tiveram sorte porque eu já sabia o que queria desde muito jovem”, ela recorda, lembrando como se apaixonou pela profissão em seu primeiro e único trabalho profissional que fez quando criança no teatro. “E, de certa forma, tornou-se bem simples porque eu tinha esse foco.”

Pouco depois de deixar a escola, ela aceitou o convite de interpretar Jasmine Thomas na novela da ITV, Emmerdale. Depois de quatro anos, ela deixou o papel para ingressar na série dramática da BBC, Waterloo Road. “Suponho que elas eram como minha universidade”, ela responde quando eu pergunto o que ela aprendeu com séries com ritmo acelerado. “Você trabalha muito mais rápido; você está estudando vários roteiros o tempo todo e está com atores e diretores diferentes. Então, de certa forma, foi uma boa maneira de começar, pois desde então tem sido como trabalhar ao contrário.”

Embora grata por aquelas chamadas agitadas e respostas rápidas, nada poderia prepará-la para o que viria a seguir. “Parecia um tiro no escuro de qualquer maneira, porque eu estava pensando que eles provavelmente iriam atrás de alguém realmente famoso”, ela admite. Ainda assim, em 2012, foi revelado que Coleman tinha sido escalada como a companion do 11º Doctor (interpretado por Matt Smith) na série icônica, Doctor Who — um papel que inevitavelmente a lançaria ao público. “Realmente senti como se eu soubesse que Doctor Who nunca foi apenas um trabalho, foi um caminho definitivo a ser trilhado. Eu estava no ponto em que estava entrando no anonimato de ser apenas uma atriz sem contrato”, ela lembra. “Parecia algo realmente grande a se considerar.” No entanto, citando o modo “mercurial” de atuação de Smith e a escrita de Stephen Moffat, a atriz aceitou o desafio e entrou na Tardis.

Ao voltar para a Terra, Coleman atingiu outro marco. Desempenhar o papel da Rainha Victoria em Victoria da ITV que ganhou aclamação da crítica pela forma como trouxe a monarca à vida. “Eu não sabia muito sobre a Rainha Victoria para começar e sentia que não sabia como desvendá-la”, diz Coleman, explicando como os retratos de Victoria retratam uma mulher severa e não aquela que ela descobriu quando lia seus diários. “A emoção realmente veio ao mudar os preconceitos sobre ela porque ela era tão curiosa sobre a vida, tão vivaz. Havia algo tão humano nela que eu não sabia ou nunca tinha realmente visto ser explorado antes.” Depois de três temporadas, a produção foi interrompida enquanto a atriz fazia as malas e voava para Bangkok para começar a filmar O Paraíso e a Serpente.

Para quem não assistiu à série de oito episódios, ela segue os crimes do serial killer francês Charles Sobhraj, que drogou e posteriormente matou turistas mochileiros na Tailândia dos anos 1970. Coleman começou a cortar sem esforço seu charmoso sotaque nortista para um forte francês-quebequense enquanto ela assumia seu maior trabalho até então.

“A voz é geralmente a primeira coisa que vem a mim. Mas com ela [Marie-Andrée Leclerc] é muito específico, pois eu tinha todas as notas de sua voz para ouvir quando ela estava na prisão”, diz ela em resposta à minha pergunta sobre a dificuldade de atuar com sotaque, no caso francês-quebequense. Ela admite que foi “absolutamente torturante” ter aulas diárias para aprender a pronunciar palavras como ‘trés’ corretamente.

Não bastando isso ser desafiador o suficiente, sua personagem estava repleta de complexidades. Por um lado, ela era ingênua e ansiava por afeto, por outro, ela era fria e indiscutivelmente má. “Achei Marie-Andrée, sua psicologia e sua história, suas complexidades, seu lado sombrio, profundidade e luz realmente fascinantes”, afirma Coleman. “Ela está vivendo na realidade que construiu para se sentir segura.”

Pergunto a Coleman se ela foi capaz de entender os motivos de Leclerc para ficar com Sobhraj, apesar de seus crimes horríveis: “Acho que a vida dela antes de conhecê-lo era tão banal e chata… que de repente viver no polo oposto da vida, estar em perigo, fugir com este homem violento e perigoso e estar no precipício a fazia se sentir viva.”

O processo de contar essa história veio com seus próprios pesadelos da vida real. “Foi a filmagem mais amaldiçoada a ponto que nossa equipe foi ao templo para se livrar da ‘maldição da Serpente'”, ela revela. “Tivemos muitos acidentes estranhos, coisas complicadas com as filmagens, mudanças na programação e então a Kanit House, na qual estávamos filmando, estava [para ser] demolida, portanto eu tive que voar de volta para Bangkok antes [que isso acontecesse].”

Coleman admite que ela prospera com a imprevisibilidade de seu trabalho. “Adoro a aventura de não saber em que parte do mundo você estará, com quem estará, se conhecerá e que histórias vai contar”, diz ela, acrescentando algo como um eufemismo: “Eu realmente gosto de mudança.” Com o tema desta edição sendo revelação, ela define como: “Ser visto. Quebrar as paredes que te cercam.” Neste caso, Jenna Coleman tem os holofotes brilhando sobre ela e está fazendo um trabalho notável em garantir que não haja parede alta demais que ela não escalará.