Arquivo de 'joanna'



Jenna Coleman concede entrevista e sessão fotográfica para a revista The Last
09.01.2019
postado por JCBR
Começando a divulgação norte-americana de The Cry que teve sua estreia no dia 8 de novembro de 2018 no serviço de streaming Sundance Now, Jenna concedeu entrevista para a revista The Last e realizou uma sessão de fotos com o fotógrafo Iringó Demeter. Confira a entrevista traduzida e o photoshoot abaixo:

É dezembro, uma semana antes do Natal, e a atriz inglesa Jenna Coleman finalmente tem um tempo para si. “Acabamos de encerrar outra temporada de Victoria, o que é maravilhoso pois estou em casa”, ela exala, referindo-se à série da PBS em que ela interpreta a rainha de mesmo nome tão importante que ela teve uma era inteira em sua homenagem. “Estou literalmente cortando verduras enquanto falo com você – com minhas próprias roupas, provavelmente pela primeira vez este ano.”

Coleman atua desde os 18 anos de idade, quando ela conseguiu um papel na longa novela britânica Emmerdale. Essa experiência mostrou ser mais útil do que a escola de drama, oferecendo a ela a oportunidade de trabalhar com uma série de diferentes atores e diretores durante seus quatro anos na novela. Ao longo da última década, sua carreira continuou a florescer, primeiro como a companion do décimo primeiro Doutor (interpretado por Matt Smith) na série Doctor Who e agora como a jovem rainha permanentemente grávida e amante do sexo em Victoria, que retorna para sua terceira temporada esta semana. Nada disso, no entanto, a preparou para o seu último papel como Joanna.

Na nova minissérie do Sundance Now, The Cry, Joanna é uma professora de escola que se apaixona por Alistair (Ewen Leslie), um especialista em mídia com uma presença dominante e um jeito com palavras que claramente a dominam. Depois de perder o bebê em circunstâncias imprevistas, o casal enfrenta a mídia insaciável, detetives incansáveis ​​e desconfiados, parentes preocupados e até ex-agitados. “Eu senti que ela era a última pessoa no mundo que iria querer esse tipo de atenção, especialmente quando a conhecemos pela primeira vez”, explica Coleman. “Ela é meio pequena e usa esse suéter cinza e quer se enrolar em uma bola.”

O que se segue é um turbilhão de eventos que se desdobra de maneira bastante diferente do livro no qual a série é baseada. A autora original, Helen FitzGerald, revelou o final na primeira página, mas na tela, o conto é contado de trás pra frente, usando dispositivos estruturais para recriar a tensão do livro. As adaptações raramente se aprofundam em monólogos internos, preferindo mostrar em vez de dizer, e The Cry mais do que compensa a perspectiva omnisciente ausente com suas performances sutis e fortes. “Sinto que o roteiro tinha uma maneira muito inteligente de te aproximar, mas mantê-lo longe de todo mundo”, explica Coleman, cautelosamente tentando evitar estragar o final.

“Você tem que atuar de duas maneiras o tempo todo: uma mãe de luto cujo filho foi arrancado de um carro e também a versão de uma mãe sentada em cima de todos esses segredos”, continua ela delicadamente. “A ambiguidade e a dualidade de mantê-lo como um thriller, enquanto sempre dizia a verdade, parecia o jogo de xadrez mais vórtice que já joguei antes.”

A própria Coleman não tem filhos, então esse papel foi particularmente aterrorizante para ela. Ela conversou com amigas que eram atrizes (e também novas mães), que relataram suas experiências com detalhes incríveis. Ela falou com uma parteira sobre os primeiros dias e semanas de maternidade. E ela tinha o material de pesquisa para preencher as lacunas emocionais. Mas talvez a parte mais desafiadora foi conectar a Joanna desde o começo da história, naquele suéter cinza, até a Joanna no final, um pouco distante e falando diretamente para a câmera em um vestido vermelho justo. “Nós propositadamente pedimos ao público para questionar seu papel como mãe”, explica Coleman.

Mas o papel afetou sua visão sobre a maternidade? “Muito”, ela diz, “mas suponho que nunca pensei sobre como toda a sua identidade e toda a sua existência muda porque de repente você é uma mãe. Até coisas normais, como acordar de manhã e sair para tomar um café – tudo é diferente. Foi revelador.”

Na cena mais chocante, os telespectadores entendem o que realmente aconteceu com o filhinho de Joanna e Alistair enquanto eles estão estacionados em uma estrada do lado de fora de uma pequena cidade costeira na Austrália. Ela chora. Ele chora. Ela corre em direção à rodovia. Ele corre atrás dela. Toda a sequência é de cair o queixo, poderosamente trágico e dolorosamente crível. “Nós não ensaiamos. Ninguém realmente sabia o que iria acontecer”, lembra ela desse momento decisivo. “Acho que levou em tempo real talvez vinte minutos.” Voltando a esse momento crucial mais tarde, Coleman acrescenta: “Acho que quando você tem um bebê por nove meses, tem que ser uma reação física em oposição a algo mais racional. Você poderia fazer muita preparação, mas você tem que jogar fora isso e não ser muito racional sobre isso, porque é uma coisa meio animalesca.”

Com a ascensão do empoderamento feminino, não é (ainda bem) incomum ver mulheres com falhas, especialmente mães. A história de Joanna é inegavelmente dramática, mas a depressão pós-parto afeta uma em cada nove mulheres na América, e The Cry oferece pelo menos uma janela para o trabalho exaustivo e o distúrbio psicológico que pode surgir, uma mudança refrescante para a televisão. “É uma história oportuna”, diz Coleman, “mas, em última análise, acho que as pessoas [na indústria] não têm medo de mostrar fatos da vida real”.

The Cry está disponível para streaming no Sundance Now. Victoria retorna no domingo ao canal PBS.