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Jenna Coleman concede entrevista ao The Times
25.12.2020
postado por JCBR
Faltando apenas uma semana para a estreia de The Serpent, Jenna Coleman concedeu uma nova entrevista realizada por Ed Pontt para o The Times, acompanhada de um ensaio fotográfico pelas lentes do fotógrafo Chris McAndrew. No bate-papo Coleman falou sobre as pessoas que inspiraram os personagens da minissérie, o retorno de Victoria e disse estar em um novo projeto de fantasia que ainda não pode revelar qual é. Confira as fotos para o site e a tradução da entrevista:

Jenna Coleman: de rainha Victoria a parceira de assassino em The Serpent
A atriz fala sobre como perucas e aulas de francês a ajudaram a entrar na mente de uma cúmplice do assassino da minissérie da BBC, The Serpent

Em The Serpent, Jenna Coleman usa long hair e óculos de sol ainda maiores para interpretar Marie Andrée-Leclerc, parceira no crime e no amor de Charles Sobhraj, o famoso francês que enganou e assassinou mochileiros na Ásia nos anos 1970. Muitas das novas minisséries da BBC foram filmadas em Bangkok, onde o calor tropical causou o caos com as roupas de poliéster, perucas e no modo de fumar dos atores. “Foi como trabalhar em um estúdio de Bikram [yoga]”, diz Coleman, 34, mais conhecida por interpretar a jovem rainha em Victoria. Tahar Rahim, o ator francês que interpretou Sobhraj, também usava peruca? “Sim, ninguém escolheria usar isso…” ela diz incrédula.

Coleman é uma boa companhia. De uma forma moderada, talvez — fazê-la falar sobre sua vida privada é o mesmo que fazer a rainha Victoria dançar break. Ainda assim, durante um café da manhã em um café no centro de Londres antes da mudança para o nível 4 de isolamento, há o mesmo brilho sutil em seu bate-papo e em sua atuação. Isso pode ou não vir por ter crescido em Blackpool. Esta é a mulher que, quando estava interpretando Clara Oswald em Doctor Who, foi questionada pela rainha, “O que você faz?” ela deu a resposta conhecida a nível mundial: “Eu viajo através do tempo e espaço.”

“Parece divertido”, disse a rainha, e você tem a sensação de que Coleman se diverte, mesmo que ela conte com uma cara de paisagem. Havia muito para fazer The Serpent acontecer, o jovem elenco moderno deleitando-se com as maravilhas de Bangkok, mesmo que o tema da série fosse o mais sombrio possível.

Sobhraj, conhecido como o Assassino do Biquíni, o Assassino da Cisão e a Serpente, nasceu em Saigon, filho de um alfaiate indiano e uma vietnamita, e passou a infância viajando entre a Indochina Francesa e a França, onde foi para um internato. Ele não tinha uma nacionalidade no início, e Coleman acha que muito de seu comportamento posterior veio de “não ter um lugar no mundo, bem como todos os tipos de coisas horríveis que sua mãe fez a ele quando ele estava crescendo, coisas do tipo tortura. Ele começou no crime muito cedo — você poderia fazer uma série inteira sobre sua vida quando mais jovem.”

Começando com roubo, contrabando e golpes, Sobhraj aprisionou uma dançarina de flamenco e acabou escavando uma joalheria para roubar milhares de libras em joias. Ele foi preso várias vezes, escapando de prisões no Afeganistão e na Índia fingindo estar doente e drogando os guardas. E ele começou a atacar mochileiros. Esta foi a era de ouro da trilha hippie e os “cabelos compridos” estavam por toda parte, de Bangkok a Kathmandu. Sobhraj os odiava por seus privilégios e indolência.

Intensamente interpretado por Rahim, a estrela do filme cult francês A Prophet, Sobhraj é bonito, carismático e fala seis idiomas. Pense em Leonardo DiCaprio em Catch Me If You Can com Charles Manson. Ele achou fácil encantar os ocidentais. “Aparentemente, ele estudou psicologia nos primeiros dias, quando estava na prisão”, diz Coleman. “Ele tem uma maneira incrível de descobrir as inseguranças das pessoas e agarrar-se a elas.”

Sobhraj começou a se passar por um negociante de joias, envenenando turistas e cuidando deles para conseguir sua confiança. Depois disso, muitos o deixaram ter o que quisesse, seja dinheiro, passaporte ou sexo. Aqueles que não sucumbiram começaram a encontrar fins prematuros. Ele matou pelo menos 12 turistas, afogando a primeira que usava biquíni no Golfo da Tailândia, o que o ajudou a ganhar o apelido de Assassino do Biquíni, e queimando vivo um casal holandês.

Durante tudo isso, Leclerc foi a cúmplice leal de Sobhraj, usando o nome de Monique e se passando por sua esposa, enfermeira ou modelo para seu fotógrafo falso. Acariciando seu cachorrinho e em uma sucessão de vestidos estampados e terninhos, ela forneceu a Coleman um enigma glamoroso. “A noz a ser quebrada”, diz ela, “era: quanto ela foi vítima? E quanto ela estava disposta? Sobhraj foi uma das primeiras pessoas que ela conheceu, nunca tendo saído de sua cidade cinzenta e monótona, como ela a chamava. E dentro de quatro semanas ela estava drogando pessoas.”

Leclerc tolerou muitas infidelidades dele, que eram “devido à sua autoestima”, diz Coleman. “Ela escreve sobre não ser capaz de respirar sem ele, sobre aceitar qualquer coisa, desde que ela possa estar perto dele. O que é tão sombrio. Quando leio seus diários ou ouço suas declarações, sua ilusão é tão profunda. É como se ela estivesse vivendo uma narrativa totalmente diferente, uma vida de filme em sua cabeça.” Há uma cena em que Sobhraj mata dois turistas enquanto Leclerc fica na sala ao lado, sonhando acordada. “Como se ela estivesse neste livro de romance”, diz Coleman. “E então a merda é jogada no ventilador.”

Em 1976, Sobhraj e Leclerc foram detidos e encarcerados na Índia após tentarem drogar um grupo de turistas franceses de 22 pessoas. Sobhraj prosperou na prisão, chantageando a equipe para lhe dar uma televisão e deixá-lo fazer sexo com Leclerc duas vezes por semana. Ela morreu de câncer em 1984, mas ele se mudou para Paris quando foi solto, tornando-se uma celebridade macabra e cobrando dos fãs 5 mil dólares por almoço.

Em 2003, por motivos que não estão claros, ele voou para o Nepal, onde ainda era procurado. Ele foi capturado e permanece na prisão aos 76 anos. Os visitantes continuam vindo. “Ele é conhecido por drogar pessoas e colocar coisas em sua água, e toda vez que alguém vem vê-lo na prisão, ele serve uma bebida e oferece a eles”, diz Coleman. “É uma espécie de truque psicológico.”

Leclerc estava realmente apaixonada por uma pessoa tão perturbadora? Coleman pensa que sim, embora ela o tenha repudiado publicamente. “Eu li uma carta que ela escreveu para ele na prisão e ela disse: ‘Você precisa de uma limpeza da alma’. Mas então ela encerrou, ‘De sua querida garotinha, eu sempre vou te amar’. O grande problema para mim é que na prisão ela continuou chamando-se Monique. Não Marie-Andrée. Então, eu acho que ele nunca perdeu o controle sobre ela.”

Coleman conheceu algumas das pessoas retratadas na série, incluindo Herman Knippenberg, o diplomata holandês que ajudou a capturar Sobhraj, e Nadine Gires, uma vizinha do assassino. “Estávamos gravando ao redor da piscina e Nadine viu eu e Tahar estávamos vestidos com os figurinos e com o cachorro e, aparentemente, ela estava bastante incomodada”, disse Coleman. “Ela disse que Marie-Andrée disse que nunca gostaria de ter um filho de Charles porque ele seria um monstro.”

A filmagem foi interrompida pela pandemia e eles tiveram que terminá-la em um estúdio no Reino Unido. “O cenógrafo fez um trabalho incrível porque vai perfeitamente de algo que filmamos no ano passado em Bangkok e corta para oito meses depois em Hertfordshire”, diz Coleman. Ela ri da vez em que levou Rahim ao pub local. “Eles estavam fazendo o quiz pop semanal. Era o oposto de Bangkok!”

Seu papel exigia que ela falasse francês, o que ela não sabia. Para a audição, ela aprendeu suas falas foneticamente. “Eu estava com tanta vergonha — ‘Deus, as pessoas vão ver isso’. Quando eles me ofereceram o papel, eu fiquei, tipo, ‘Eles são completamente loucos.'” Ela começou as aulas de francês, a primeira das quais não foi bem. Foi pedido a ela que dissesse “très”, mas “porque sou do norte, pronunciei ‘tray'”. Ficou parecendo como My Fair Lady, diz ela.

The Serpent apresenta um arco-íris de sotaques do elenco principal britânico — franco-canadense para Coleman; belga para Tim McInnerny, que interpreta um diplomata; holandês para Billy Howle, que interpreta Knippenberg; e alemão para Ellie Bamber, que interpreta a esposa de Knippenberg, Angela. Bamber e Coleman estiveram em um relacionamento com a estrela de Bodyguard, Richard Madden. Elas compararam algo? Ela ri e me lança um olhar de “Não acredito que você perguntou isso.”

Namorados sempre foram uma área proibida para Coleman nas entrevistas. Este ano ela se separou de Tom Hughes, que interpreta o príncipe Albert, seu marido em Victoria, após quatro anos juntos. Ainda não se sabe se a série vai voltar, embora ela admita que seria ótimo “levar isso ao ponto em que Albert morre, o que obviamente é incrível em termos de história.”

Seria estranho atuar com Hughes agora? “Não!” Ela é uma profissional, certo? “Não sei o que isso significa.” Ela pode colocar de lado suas emoções quando está trabalhando. “Isso vai soar muito diplomático, mas Victoria e Albert sempre foram muito independentes de nós. Estou com muito medo de dizer qualquer palavra sobre isso.” Ela sempre foi boa em ser direta sobre essas questões, eu digo. Ela está solteira no momento? “Eu realmente não quero dizer. Bloquear!” Ela imita uma defesa avançada.

Nós continuamos. Como alguém que interpretou personagens da vida real, o que ela acha do recente debate sobre a precisão dos fatos em The Crown? Daisy Goodwin, a criadora de Victoria, escreveu recentemente um artigo para o The Times defendendo o direito de embelezar. “Eu li as fontes originais não apenas como uma historiadora em busca de fatos, mas como uma escritora que tenta descobrir o que as pessoas deixaram de fora”, escreveu Goodwin.

Coleman concorda. “Qual é o sentido de contar histórias se você está completamente preso?” Ela aponta para os sentimentos de Victoria por Lord Melbourne. “Daisy disse que lendo nas entrelinhas você pode ver que é uma paixão de infância.” Nada foi oficialmente reconhecido, mas as cartas da rainha deixaram seus sentimentos claros. As figuras mortas há muito tempo são uma coisa. A ideia de interpretar alguém vivo é “aterrorizante”, diz Coleman. “Pensar que essa pessoa vai assistir… Como você se sentiria sobre alguém interpretando você?”

Nascida em Blackpool, onde seu pai reformava lojas e bares e sua mãe era mãe em tempo integral, Coleman tem atuado profissionalmente por quase metade de sua vida. Ela recebeu o nome de Jenna Wade, a personagem de Dallas interpretada por Priscilla Presley. Pouco depois de deixar a escola, ela foi escalada para interpretar Jasmine Thomas em Emmerdale e teve algumas histórias substanciais: cenas de amor lésbico, um aborto, matando um suposto estuprador. Ela fez muitos longos alongamentos — quatro anos em Emmerdale e três temporadas de Doctor Who, depois dos quais ela tinha apenas três semanas para começar em Victoria.

Não foi nenhuma surpresa então que ela “realmente queria ter um pouco de tempo para fazer outras coisas” depois de terminar a terceira temporada de Victoria. O confinamento trouxe clubes de cinema online, uma produção através do Zoom de A Separate Peace, de Tom Stoppard, para arrecadar dinheiro para os trabalhadores do teatro que ficaram desempregados devido à Covid, e um feriado com uma amiga em Deia, o enclave boêmio em Mallorca que foi a casa de Robert Graves.

No novo ano, Coleman vai começar a filmar um projeto de fantasia de grande orçamento sobre o qual ela ainda não pode falar e, no ano passado, ela fez sua estreia profissional no palco em All My Sons de Arthur Miller no Old Vic em Londres. A experiência foi “assustadora”, diz ela, mas abriu seu apetite para fazer mais teatro. Suas co-estrelas, incluindo Sally Field que a elogiou como “uma atriz deslumbrante [que] era sólida como uma rocha para mim.” Sólido como uma rocha com uma pitada de brilho Blackpool.

Jenna Coleman concede entrevista e estampa a capa da edição de outubro da revista Tatler
03.09.2020
postado por JCBR
Jenna Coleman é fotografada por Claire Rothstein para a edição de outubro da revista Tatler e fala sobre sua adolescência, o retorno de Victoria, filhos e muito mais. Clique nas miniaturas abaixo para conferir as scans e em seguida leia a tradução da entrevista.

Tantas perguntas pra fazer pra Jenna Coleman, mas a do topo da lista é se Victoria, sua maior glória, retornará. A série de TV, seguindo a vida da nossa digna monarca, está prevista para ter uma quarta temporada; da última vez que Coleman a deixou, em meados de 2019, Vic teve sete de seus nove filhos, ainda tinha um marido e, ocasionalmente, sorria. Quando falamos sobre isso, a atriz de 34 anos, nascida em Blackpool, que fez da rainha o seu cartão de visita, permanece evasiva.

“Pode haver outra temporada”, ela sorri. O cabelo de Coleman foi lavado recentemente, ela está com uma camisa listrada de azul e marrom da Zara e, no geral, ela parece claramente não-vitoriana. Ela está em uma pequena pausa com a atriz Perdita Weeks, sua amiga, e me mostra, se desculpando, uma linda vista da montanha ao fundo da ligação.

“Estou esperando envelhecer um pouco mais”, ela sorri. É justo: Coleman parece estar há anos-luz da meia-idade. Ainda assim, ela admite, tem a morte do Príncipe Albert por vir e o romance da rainha com o John Brown: “Há muita história boa”, ela suspira. Mas então chegamos ao centro do problema. “Quer dizer, devo usar um terno gordo? Devo usar próteses?” Ela está rindo, mas isso parece bem sério. Não, sério: você usaria um terno gordo?

“Sim!”, ela insiste com firmeza. “Deus, eu aceitaria qualquer coisa no lugar de espartilho. Já fiz três anos disso.” Ela com certeza detesta espartilhos, pra ser claro; eles são “brutais”, diz ela. “Tipo, “Traga o terno gordo! Está bem!””

Podemos dizer com certeza que para Coleman o ano passado marcou um afrouxamento no trabalho. Ela mereceu. Seus traços atrevidos e delicados têm sido uma constante nas telas de TV britânicas por 15 anos. Os destaques incluem sua longa passagem como Clara Oswald em Doctor Who, Waterloo Road, Titanic da ITV, Victoria e, mais recentemente, o thriller The Cry, que lhe rendeu uma indicação ao Emmy Internacional. “Eu fiz três temporadas e meia de Doctor Who, e comecei Victoria três semanas depois”, ela suspira. “Eu literalmente desci da Tardis e andei a cavalo de lado.”

Ela também ganhou um perfil que corresponda. Depois de um nonasseguno ligada ao Príncipe Harry, em 2015, tendo se conhecido após um jogo de pólo e um longo período de namoro com o ator Richard Madden, ela estabeleceu outro longo relacionamento, com seu colega de elenco Tom Hughes, o Albert da sua Victoria. Eles ficaram juntos durante as gravações da primeira temporada, pelo que sabemos: permaneceram discretos o tempo todo. Mas o que se dizia nesse verão foi que tudo acabara, com Coleman flagrada aparentemente devolvendo as chaves de sua casa. Quando eu digo a ela, ela está determinada a ficar calada, assim como ela sempre fala sobre sua vida amorosa, ou realeza, especialmente quando as duas se misturam. Esses rumores impediram você de gravar a quarta temporada? Uma pequena pausa. “Ai meu Deus, não!” (Coleman diz muito “Meu Deus”, e não consigo decidir se isso é um resquício de suas raízes do norte ou um drama de rainha.) “História e roteiro.” Então, o que está acontecendo na sua vida pessoal não afeta seu trabalho? “Exatamente”, ela diz calmamente. Podemos dizer pelo menos que você está solteira agora? Ela começa a parecer chateada. “Eu sinto muito. É muito mais fácil não falar sobre isso, na verdade.” Isso não quer dizer que Coleman não fala muito. Pelo contrário. Presença calorosa, educada, quase séria, ela fica feliz em admitir que está passando por um momento de reflexão e mudança. “Esses últimos anos têm sido ótimos”, ela diz sobre sua pausa em Victoria, “porque eu realmente não tinha me dado um tempo para ficar livre.”

Os jornais apelidaram Coleman e seus amigos famosos de o novo cenário de Primrose Hill — batizado em homenagem ao grupo hedonista dos anos 1990 liderado por Kate Moss, Jude Law e Sadie Frost, que viveram naquela região do norte de Londres. Coleman morava em Primrode Hill por volta dos seus 20 anos e é amiga de Matt Smith, seu colega em Doctor Who, e de sua namorada, Lily James; eles são frequentemente vistos juntos na área de NW3. “O que isso significa?” ela diz, os olhos arregalados. Que você está tentando ser a nova Sadie Frost, eu acho? Ela parece chocada — e pra ser justo, é golpe baixo. Ela é uma atriz muito, muito melhor do que Sadie. “Ai meu Deus,” diz ela novamente. “Eu sou uma pessoa caseira.”

Coleman percorreu um longo, longo caminho desde a classe operária do norte. Jenna-Louise Coleman conseguiu seu primeiro papel em Emmerdale com apenas 19 anos. Seu sotaque de Lancashire, praticamente desapareceu, mas de vez em quando aparece — “rir” se torna “ri”, e “botão” torna-se um “butão”. Enquanto isso, ela abandonou o ‘Louise’ em 2013, decidindo que era demais. “Perguntam-me com frequência: O que aconteceu com Louise? Para onde ela foi?”, ela diz. Peter Capaldi, outro colega de elenco em Doctor Who, ainda a chama de “A Artista Anteriormente Conhecida como JLC”. Ela nunca se sentiu tentada a ser J-Lou? “Acho que sugeri isso aos meus amigos quando era adolescente”, ela diz seca “e não caiu bem”.

Em suma, apesar de seu brilho de garota comum, Coleman mostra pouco interesse em ser uma fofa. Na verdade, a próxima vez que ela voltar à tela será no thriller da BBC/Netflix, The Serpent, baseado na história da vida real do vigarista e assassino Charles Sobhraj, uma figura sinistra que aterrorizou a trilha hippie na Ásia nos anos 1970. Na série, que quase completou as gravações em Bangkok quando o lockdown foi anunciado, Coleman interpreta sua parceira, a franco-canadense Marie-Andrée Leclerc. É um papel obscuro e desagradável, o glamour dos estilos esfregando-se contra a maldade dos crimes. Ainda mais chocante, ela ensaia um sotaque francês, o que é particularmente corajoso, já que ela não sabia falar uma palavra em francês. Mas esse contrassenso, ou talvez teimosia, parece muito com Coleman. Não é nenhuma surpresa descobrir que, nos primeiros dias de sua carreira, ela foi convidada para um teste de um papel no andar de baixo em Downton Abbey — mas ela perguntou se poderia tentar subir no andar de cima. Não aconteceu, mas você pegou a ideia. E com Victoria, ela finalmente subiu as escadas e mais um pouco.

Como outros atores, Coleman nunca quis fazer outra coisa. Ela teve uma infância “muito liberal, muito relaxada” e, surpreendentemente, seus pais — Keith, um empresário e Karen — “nunca me fizeram duvidar” que poderia ser uma opção. Em vez disso, a dúvida surgiu quando ela foi para uma escola particular local no início da adolescência. E eu suponho que este é um preconceito para deixar para trás: sim, ela era do norte e da classe trabalhadora, mas seus pais decidiram mandá-la para Arnold (“Era uma escola muito boa”, diz ela, parecendo um pouco perplexa quando eu pergunto por quê), onde ela se destacou — ela até acabou sendo líder de classe. Ainda sim, foi uma experiência mista para ela, que talvez seja o que ela quis dizer quando disse que era “um intermediário”. Em certo sentido, ela se divertiu muito e fez “sete ou oito dos meus melhores amigos” lá; mas em outro, todos os bons alunos foram para Oxbridge, e “foi aí que surgiu a dúvida”, diz ela. Atuar era aparentemente um “capricho bobo de uma carreira”. Na verdade, ela resmunga, “eu sou a péssima líder de classe que nunca foi para Oxford”. Ela preencheu um formulário cuidadosamente, “mas me lembro de ter escrito: “Eu só quero ir para poder ler livros para então poder ser atriz, porque, na verdade, eu só quero ser atriz”. Foi realmente evasivo”, ela ri. Ela não teve a resposta.

Esse trecho inicial da estrada foi turbulento. Ela também foi rejeitada quando se inscreveu em escolas de teatro e tirou um ano sabático para se inscrever novamente; foi enquanto fazia isso que ela conseguiu o emprego em Emmerdale. Depois ficou um pouco mais difícil quando ela deixou Emmerdale, tentando não ser estigmatizada. Mas, no geral, ela diz que amava os seus 20 anos — e ela “realmente gostou” dos 30 anos até agora. “Eu não diria que é, “Oh, você chega aos 30 e chega a algum lugar, e tudo faz sentido, você sabe quem você é e todas essas coisas”, mas estou gostando da exploração, com certeza.” Ela diz que adoraria ter filhos. “Quer dizer, como diabos você gerencia isso nesta indústria, não tenho ideia. Tomara que isso aconteça em breve: sets com mais creches para as crianças, e coisas assim. Não consigo compreender como isso funcionaria, mas definitivamente eu gostaria de ter filhos um dia.”

Correndo o risco de estar sendo rude, porém, ela não está entrando em um momento tipo agora ou nunca? “Obviamente existe o efeito absoluto da idade biológica, com certeza”, ela começa. “Mas, não sei, estou pronta pra seguir o caminho que a vida me levar. Porque não há controle. Acho que isso é algo que estou aprendendo cada vez mais, ou tentando aprender. Conforme você envelhece, você percebe que não adianta tentar controlar certos aspectos. Você tem que lidar com os golpes. Quer dizer, esses últimos anos foram complicados, não foram? Você não pode realmente fazer planos, porque pode ser atingido por uma pandemia.”

Bem, sim, mas as pessoas ainda fazem planos de qualquer maneira, não é? Eu empurro ela mais adiante, e ela se perde em pensamentos: “O que estou tentando articular aqui?” Ela então explica que há um drama que ela realmente gostaria de fazer, baseado na vida de Ernest Hemingway. “É mais ou menos assim: o que é uma relação tradicional? Como devem ser os relacionamentos? Monogamia vitalícia ou cada relacionamento tem um ciclo?”

“Não sei”, diz ela animando-se com o tema. “Eu sinto que nossa sociedade mudou muito, e ainda há um certo ponto a ser atualizado.” “Não há”, ela diz, “um livro de regras, embora eu sinta que nos disseram que exista um, e aquele que é bem-vindo é aquele tipo de Disney “Você vai conhecer um príncipe e se apaixonar, casar e ter filhos”. Nós quase precisamos mudar essas histórias. A crescente independência das mulheres alterou tudo, ela pensa. “Talvez o amor tenha um ciclo de cinco anos, e isso não o torna menos bonito.”

Ela conheceu Hughes em 2015: faça a matemática. Eu realmente não posso colocar isso para ela no momento, já que ela está vagando por todos os tipos de terreno filosófico mais amplo — e isso está muito de acordo com seu espírito de bloqueio. Esse período, como ela conta, foi passado principalmente em Londres fazendo coisas “clássicas”, incluindo culinária, um curso de fotografia e uma tentativa de jardinagem, da qual ela ainda está se recuperando. “Acho que há toda uma matemática e ciências que eu não consegui entender”, diz ela, franzindo o nariz.

Pode ser útil saber, porém, que de agosto de 2019 até março de 2020, ela estava filmando The Serpent em Bangkok. Mostra, se nada mais, que sua mente e corpo já estavam em outro lugar. É difícil discutir muito sobre a série sem revelar nada, mas o que vale a pena dizer é que Coleman não tem medo de interpretar uma mulher confusa e ambígua cuja cumplicidade nos crimes de Sobhraj nunca foi totalmente esclarecida — Leclerc morreu de câncer em 1984, com muitas perguntas sem resposta. Enquanto isso, Sobhraj ainda está vivo e na prisão, condenado apenas por dois assassinatos, mas suspeito de muito mais. Isso tudo é fascinante para Coleman, mas, novamente, com a estrita condição de que está a anos-luz de sua própria vida.

Quando pergunto se ela alguma vez infringiu a lei, ela volta à sua adolescência. Ela tinha um spaniel chamado Charlie, e ela ouviu falar de uma lei obscura, datada da época de Chales II, “que os spaniels com seu nome deveriam ter acesso a qualquer lugar da terra. Então eu o levei para o Boots comigo, mas mesmo assim eles expulsaram nós dois “, diz ela. “Na verdade, acho que cumpri a lei neste caso?”

A maneira como ela fala, assim, ela é boa mesmo quando tenta ser má. No entanto, definitivamente há algo atrevido em Coleman, por mais que ela queira disfarçar. Quando eu pergunto quem são seus amigos na indústria, ela prontamente lista Capaldi, Smith e Rufus Sewell, seu Lord Melbourne em Victoria, além de sua amiga Weeks. Essa é principalmente uma lista de homens que parecem bastante travessos, eu a provoco. “Ai, eu sei”, diz ela, encolhendo-se.

E sim, Lily James é uma amiga, assim como Madden, ainda. Como você consegue ser amiga de um ex? “É só muito amor. Muito amor.” Tudo isso remonta aos seus 20 anos, diz ela. E pra ser claro, você ficava todo o tempo em casa de pijama? “Genuinamente! Sério! Eu juro. Eu sou o tipo de pessoa noturna, aninhada e sem festas.”

Cinco minutos depois, porém, estamos diminuindo o ritmo e a melodia muda um pouco. “Eu vou beber algumas margaritas,” ela anuncia, como a pessoa muito querida que eu estava dizendo que era. Ela pisca seus grandes olhos, e pela primeira vez, finalmente, ela parece a Victoria adequada. Quantas vai tomar? “Uma quantidade civilizada” ela dispara de volta. “Uma quantidade muito, muito civilizada!”

“Isso é tão engraçado”, ela ri. “Você acha que eu sou esse grande animal de festa secreto. É muito hilário.” Na verdade, pelo que vale a pena, não acho — eu só acho que ela tem mais angústia do que está demonstrando. Afinal, uma coisa que ela nunca se cansa de dizer a todo mundo é que a Rainha Victoria, apesar das aparências, pode ser bem divertida.

Victoria chegará ao Globoplay em maio
29.04.2020
postado por Laura Cristina
Desde que chegou ao Brasil primeiramente pelas plataformas de streaming Globosat e NOW o título da série foi traduzido para Vitória: A Vida de uma Rainha, com a seguinte sinopse:

A monarquia britânica entra em crise após a morte do rei e o peso da coroa recai sobre uma jovem de apenas 18 anos, responsável por comandar o império.”

Victoria é uma série com foco principal no reinado da Rainha Victoria e seu casamento, foi criada pela novelista Daisy Goodwin e produzida pela Mammoth Screen tendo sua estreia em 2016 contando com a participação de Jenna Coleman Tom Hughes, Rufus Sewell, Nell Hudson e David Oakes no elenco. A série é transmitida para o Reino Unido pela ITV e nos Estados Unidos pela Masterpiece – PBS.

Jenna Coleman comparece à V&A Summer Party em Londres
20.06.2019
postado por Andrea de Lucca
Na noite de quarta-feira (19), Jenna Coleman compareceu à 4ª edição beneficente da V&A Summer Party, no museu Victoria & Albert, em Londres. A festa foi em parceria com a Dior, grife a qual Jenna estava vestindo. Foi a segunda vez de Coleman no evento, sendo a primeira em 2016 na 1ª edição.

Veja as fotos da atriz no evento:

Criadora e roteirista de Victoria concede entrevista exclusiva ao Jenna Coleman Brasil
17.05.2019
postado por Laura Cristina
O Jenna Coleman Brasil em parceria com o Victoria Brasil conseguiu uma entrevista exclusiva com a criadora e roteirista da série “Victoria”, Daisy Goodwin onde a mesma fala sobre um possível spin-off, como é trabalhar com Jenna Coleman e Tom Hughes, o futuro de personagens importantes e mais!

Confira:

1. Quando você decidiu escrever sobre a Rainha Victoria? O quão desafiador foi escrever um romance (e depois produzir uma série) baseando-se em fatos reais?

Bem, na verdade, foi mais fácil do que ter que criar tudo! Eu amo história, então é um prazer investigar os detalhes da vida de Victoria.

2. Esta pergunta vem de todos os fãs aqui no Brasil: Você planeja escrever uma continuação de “Vitória – A Jovem Rainha”? Embora saibamos o que vem a seguir (por causa da série e da história) é tão bom ver tudo pelos olhos de Victoria.

Fico muito feliz que tenham gostado do romance. Estou pensando em escrever uma sequência – observe essa deixa.

3. Muitos fãs estão muito chateados, para não dizer, com raiva do comportamento de Albert e como as coisas estão indo no casamento. O que está reservado para o casal? A quarta temporada será a última dele? Você poderia nos dar um gostinho do que vem a seguir para Victoria e Albert?

Pobre Albert! Ele se esforça tanto e recebe tão pouco em troca. Eu acho que uma pequena espiada na Wikipédia lhe dará uma pista para o que pode estar reservado para ele.

4. Logo no início da terceira temporada sentimos falta de alguns personagens como Ernest e Harriet, vamos voltar a vê-los no futuro?

Quem sabe? Nunca diga nunca.

5. Como é trabalhar com Jenna e Tom? Antes de começar, você tinha mais alguém em mente para os personagens? Como foi o processo de escolha dos atores para esses personagens tão notáveis?

Eles são atores tão talentosos – é um prazer trabalhar com eles. Eles sempre foram minha primeira escolha para Victoria e Albert.

6. Se você tivesse a oportunidade de produzir um spin-off da série, você consideraria contar a história de Vicky e Frederick III? Eles possuem um papel tão interessante e importante na história e isso raramente é visto em filmes e séries. Muitos estão entusiasmados com essa ideia. O que você acha disso?

Eu adoraria produzir algo sobre Vicky e Frederick! Se eu for vocês serão os primeiros a saber!

7. O que você tem a dizer sobre os homens importantes que influenciaram a vida de Victoria? Como o Lord M, Albert, John Brown e Abdul?

Eu acho que ela sempre esteve no comando.

8. Na série, podemos sentir uma forte figura feminista em Victoria, mas sabemos que a própria Rainha era, na verdade, anti-feminismo. Por que é o oposto na série? Além disso, há muitos artigos interessantes que exploram o fato de que, a contragosto, Victoria, na verdade, teve uma influência importante nesse movimento [feminista]. O que você tem a dizer sobre isso?

Victoria não acreditava na igualdade das mulheres, mas ela não precisava – era ela quem mandava. Eu acho que ela era uma figura feminista sem saber e acredito que ela mudou de atitude em relação às mulheres, quer ela quisesse ou não.

9. Uma das alegrias desta temporada são as crianças! Você pretende se aprofundar em sua história e trazer mais foco sobre as crianças (comportamento, pensamentos e relacionamentos) à medida que as mesmas crescem na série?

Eu certamente pretendo! As histórias das crianças são tão interessantes e tivemos sorte de ter atores brilhantes.

10. Você poderia enviar uma mensagem para os fãs no Brasil? Tenho certeza que eles iriam adorar se você pudesse enviar uma mensagem em vídeo, talvez?

Eu vou tentar!!!!!

Gostaria de agradecer muito por estar disposta a conceder esta entrevista! Isso significa muito para nós!

Gostaríamos de fazer um agradecimento especial à jornalista Luana Mattos que entrevistou a Daisy e tornou isso possível!

Contato da Luana:
Twitter: @luanatmattos
Linkedin: Luana Mattos